Os salesianos chegaram ao Brasil em 1883, estando ainda vivo São João Bosco, o fundador da obra educacional. A meta desse sacerdote italiano nascido no Piemonte, que presenciou o inicio da Revolução Industrial, e conseqüente migração dos camponeses para os centros urbanos, era transformar meninos pobres, vindos em geral da área rural, e ocupados em sub-empregos, quando não entregues à vadiagem, em operários qualificados, que pudessem ganhar posteriormente o próprio sustento.


Dom Bosco não foi o precursor da profissionalização de jovens, mas a sua contribuição se deu na adaptação de velhas escolas profissionais ao seu tempo, através de seu método educativo como resposta à questão operária.


Tudo isto se apoiou numa pedagogia do trabalho, dominada pela trilogia: oração, trabalho e alegria; que possibilitava uma convivência harmoniosa entre estudantes e aprendizes de diferentes classes sociais, tratados de forma igualitária. Dom Bosco despertava nos jovens a paixão pelo trabalho que era considerado por ele a salvaguarda da moralidade. Dizia: “Não vos recomendo penitências e disciplinas, mas trabalho, trabalho, trabalho”. Trabalho era, para ele, o mesmo que descansar: “Deus me concedeu a graça de que o trabalho e cansaço, ao invés de ser-me de peso, sempre me fossem de recreio e descanso”.


O caráter filantrópico desse trabalho exigia e exige a colaboração de todos. Em 1883, Dom Bosco fala, numa linguagem mais enérgica, e porque não dizer profética, para pedir a colaboração da sociedade, para a obra das escolas profissionais: “se agora vos retirais, se deixais que esses meninos se tornem vítimas das teorias comunistas, os benefícios que hoje lhes recusais, eles virão a pedir-vos um dia, não mais com o chapéu na mão, mas colocando a faca no vosso pescoço, e talvez juntamente com os vossos bens haverão de querer também a vossa vida”.


Os salesianos se apresentam no​ País, ao final do século XIX, como educadores cuja meta principal era a promoção das classes populares através da educação e formação profissional. Os primeiros colégios salesianos, de fato, caracterizavam-se por esse tipo de ensino, considerado extremamente atual no País.


Se os oratórios festivos constituíam uma solução mais imediata e de caráter transitório, em termos de atendimento às necessidades das crianças de rua, a formação profissional oferecida aos jovens das camadas populares tinha um efeito mais duradouro e permanente. Ao dar condições aos meninos para a aprendizagem de uma arte ou ofício, os salesianos facilitavam sua inserção na sociedade brasileira, evitando assim os traumas provenientes da marginalização social.


Foi no setor das escolas profissionais e agrícolas, no final do século XIX e início do século XX, no Brasil, que os salesianos mais se destacaram nas primeiras décadas da implantação da obra de Dom Bosco no País, merecendo, sob esse aspecto, o reconhecimento e o apoio das autoridades públicas.


Os salesianos valorizavam o trabalho, colocando nas mãos dos alunos instrumentos adequados para promover o avanço do País em direção ao progresso.


Em carta endereçada ao Dom Lasagna em 1895, e publicada no Boletim Salesiano do mês de outubro, o presidente Prudente de Moraes enfatizava: “Os institutos ou liceus de artes e ofícios fundados pelos salesianos prestam insignes serviços à sociedade, educando os filhos das classes pobres e armando-os para as batalhas da vida, transformando-os em cidadãos úteis à pátria, como são os educandos na escola do trabalho, que é uma das importantes virtudes civis”.


Em meados do século XX houve uma desaceleração no ritmo da profissionalização salesiana no País, fruto de uma série de dificuldades pelas quais passou a congregação e o clima reinante na época que desvalorizava o ensino técnico-profissionalizante.


Porém, nas últimas décadas, foi retomada a preocupação com o ensino profissionalizante. Na Inspetoria de São Paulo há várias Obras Sociais com profissionalização. e continuam merecendo o reconhecimento da sociedade e do poder público. Vale ressaltar que foi das suas oficinas, no Externato São João, em Campinas e no Instituto Dom Bosco, no Bom Retiro, que surgiu o Senai.

 

O texto contém trechos de: AZZI, Riolando (2003). A obra de Dom Bosco no Brasil. São Paulo: Editora Salesiana.