Histórico


A história do Santuário Sagrado Coração de Jesus nos remete ao final do século XIX. Foi precisamente no dia 24 de junho de 1881 que D. Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, DD. Bispo Diocesano de São Paulo, durante a solenidade litúrgica do Sagrado Coração de Jesus, abençoava a pedra fundamental da Capela do Sagrado Coração de Jesus. Uma iniciativa dos Vicentinos.


Em 1882 se pensou a possibilidade de anexar ao Santuário um estabelecimento de ensino, de artes e ofícios, preferivelmente salesiano.


No dia 24 de junho de 1884, festa da natividade de São João Baptista, 3° aniversário da benção e lançamento da 1ª pedra da Capela do Sagrado Coração de Jesus, deu-se a benção solene da parte, então construída, a capela mor, sendo oficiante o Exmo. Bispo D. Lino.


Após essas cerimônias continuaram as obras do corpo da igreja, de sua majestosa torre e de outras dependências necessárias.


No dia 8 de setembro de 1884, dia da natividade da Santíssima Virgem, deu-se na Catedral a grande e solene festividade da Consagração da Diocese ao Sagrado Coração de Jesus, de conformidade com o programa antes anunciado. Depois deste ato, presidida por D. Lino, grandiosa procissão levava em triunfo a imagem do Sagrado Coração de Jesus para a capela dos Campos Elíseos.


Na capela, pregou o Cônego Ezequias Galvão de Fontoura que recomendou ao povo Liceu de Artes e Ofícios que está em construção ao lado da capela.


No ano seguinte chegaram os primeiros Salesianos: o P. Lourenço Giordano e o Ir. João Bologna. Assim, em 5 de junho de 1885 foi fundado o Liceu Coração de Jesus, sendo o P. Lourenço Giordano o primeiro diretor do Liceu de 1885 a 1894.


A capela acabou cedendo lugar a uma nova construção - um grande Santuário em honra ao Coração de Jesus - que contou com o apoio de figuras eminentes da época, como Dona Veridiana Prado e o Conde Prates, e todo o povo paulistano.


Em 17 de novembro de 1901, sob a administração dos Salesianos de Dom Bosco, o templo foi inaugurado, tornando-se um centro de irradiação de fé e devoção ao Sagrado Coração de Jesus e em 1914 foi elevado ao grau de Santuário agregado à Basílica Vaticana. (veja ao lado)


O estilo da construção é romano basilical; os painéis e afrescos são de autoria de Pedro Gentili e de uma grande pintora florentina, cujo nome é mantido em segredo, a seu pedido.

A nave central pode ser considerada uma joia da arte sacra do Brasil e se constitui uma miniatura da nave da Basílica de Santa Maria Maggiore, Roma. Quarenta lustres de cristal da Boemia ornamentam essa belíssima basílica.


Os altares laterais possuem imagens esculpidas em madeira e mármore de origem italiana, francesa e alemã.


A arquitetura do prédio e o altar-mor, em mármore Carrara, são obras do artista Domingos Delpiano, salesiano leigo consagrado. É encimada pelo Cristo Redentor de sete metros de altura, em cobre dourado, executado nas oficinas do Liceu pelo mesmo distinto e dedicado arquiteto, Domingos Delpiano, como também os demais trabalhos do santuário. No princípio do século XX era o ponto mais alto da cidade.


O Santuário mede 52 metros de comprimento por 22 metros de largura. A solene torre, que em 1922 era um dos três pontos mais altos da cidade de São Paulo, mede 62 metros, incluindo os 7 metros do pedestal e os 7 metros do Cristo Redentor. De estilo romano em forma basilical, é constituído de três naves, sendo as laterais abobadadas a meio arco central. Oito colunas de cada lado, simulam o mármore e separam a nave central das laterais.


É o mais antigo templo de estilo clássico-renascentista de São Paulo. O Santuário do Sagrado Coração de Jesus marca o início da renovação da arte sacra na capital paulista. Os painéis e afrescos são obra de uma artista de Florença, Itália, que pediu à Igreja para manter seu nome no anonimato.


Somente em 27 de outubro de 1940, D. José Gaspar de Afonseca e Silva, DD. Arcebispo de São Paulo, erigiu canonicamente a Paróquia Santuário do Sagrado Coração de Jesus.


Fonte:
Revista Santa Cruz, ano III, nº 3, dezembro de 1902.
Livro Liceu Coração de Jesus, de Manoel Isaú.







Nave central

 

Sinos: Carrilhão de cinco sinos, oferta da Família Prates.

O final do século XIX se encerrava como bimbalhar dos novos sinos da torre do Santuário do Coração de Jesus, o novo começava festivamente com a inauguração do novo órgão, considerado na época como um dos mais avançados do gênero.

 

Órgão de tubos: Doado por Cerina (ou Corina) de Souza e Castro, a baronesa de Tatuí. Possui dois mil tubos e 25 registros.


Estátua da torre. Doação de Dª Veridiana da Silva Prado. De cobre dourado feita nas oficinas do Liceu, possui 7 metros de altura, obra do arquiteto Domingos Delpiano, salesiano irmão.


A grande torre. Doação de Conde de Prates. Mede 52 metros de altura, sem contar os 14 metros do pedestal e da estátua. Há na torre um grande relógio com quatro mostradores.




O altar-mor, de 1895. Doação de Dª Veridiana da Silva Prado (* 11/02/1825, em São Paulo / + 11/06/1910, em São Paulo). Desenho do arquiteto Domingos Delpiano.




Os altares são todos de mármore, destacando-se, porém, o altar-mor pela sua majestade e riqueza de seus ornatos, feito na Itália, custando cerca de cinquenta contos de réis, na época, doação de Dª Veridiana da Silva Prado.



* 29/12/1844, em Castel Nuovo D’Asti, Itália.

+ 08/09/1920, em São Paulo.






Uma pintura disfarçando um cortinado escondia a parede que circundava o altar-mor por trás. Posteriormente esse cortinado foi substituído por quadros retratando os apóstolos e evangelistas, São Mateus, São Marcos, São Lucas, São João (por trás do altar-mor), multiplicação dos pães e peixes (à direita) e a Última Ceia (à esquerda).


No presbitério, sob cuja abóbada alguns anjos seguram a faixa contendo a inscrição "Cor Jesu, miserere nobis", ladeados por dois quadros, mais abaixo, de São Paulo e São Pedro.


Aos lados da mesa da comunhão, havia as imagens do Coração de Jesus (à esquerda) e do Coração de Maria, substituídas posteriormente pelas de São Miguel, pisando o dragão infernal e ameaçando-o com sua espada flamejante, e de São Rafael, em atitude de proteção a uma criança.


Na nave lateral direita, estão localizados, a partir do altar-mor, os altares de Nossa Senhora Auxiliadora, de Nossa Senhora do Carmo, de Santo Antônio, da Gruta de Lourdes, do Menino Jesus entre os doutores, um confessionário seguido de mais dois, todos de madeira muito bem trabalhados e fechados. 


Sobre um deles aparece a inscrição "Remittuntur peccata". Sobre os outros dois (no vão seguinte), um cordeiro alimenta-se ao pé da Cruz.






Altar de Nossa Senhora Auxiliadora. Doação da Exma. Sra. Condessa de Pereira Pinto.



Altar de Nossa Senhora do Carmo.



Altar de São João Batista. Doação da Exma. Sra. Ana Cândida Barbosa.



Altar de Santo Antonio. Doação da Exma. Sra. Antonia dos Santos Prates, Condessa de Prates.


Altar Gruta. Imitação da rocha de Massabielle, construído pelo ilustre Dr. Barnabé de Carvalhaes.


Altar de Nossa Senhora Aparecida. Doação da Exma. Sra. Virgilina Correa de Andrade.



Altar de Jesus no Templo entre os doutores da Lei. Doação do Exmo. Sr. Comendador Filinto H. P. de Britto.

Confessionários de madeira.


Confessionários de madeira.






A nave lateral esquerda está ocupada pelos altares do Sagrado Coração, de São João Bosco (que data de 1929), de São Luís Gonzaga, da Sagrada Família, de São José, do Calvário, de São Joaquim, do Senhor Morto e o Batistério.


Ao lado dos capitéis dos altares da nave direita, a partir do altar de Nossa Senhora do Carmo, há pequenos quadros de Santa Luiza de Marilac, Santa Catarina de Sena, Santa Luzia, São Geraldo, São Boaventura, o Papa Pio IX, Santa Bernadete Soubirous, Nossa Senhora das Dores, Moisés, o rei Davi, São Domingos e São João Nepomuceno.


O mesmo se diga da nave lateral esquerda, em que se vêem São Paulo, São Pedro (partindo do altar de São João Bosco), São João Berchmans, Santo Estanislau Kostka, Santo Afonso de Ligório, Santa Gertrudes, Santa Teresa, Santa Maria Madalena de Pazzi, São Paulo da Cruz, Santa Rita de Cássia, Santa Clara, São Vicente Ferrer e Santa Rosa de Lima. Eram esses os santos mais populares e conhecidos na época.






Altar do Sagrado Coração de Jesus. Doação das Exmas. Sras. da Guarda de Honra.


Altar de Dom Bosco e Santos da Família Salesiana. Doação de uma Cooperadora Salesiana de São Paulo.


Altar de São Luiz. Doação da Sra. Ana Cândida Barbosa.



Altar da Sagrada Família. Doação da Sra. Ana Cândida Abreu.


Altar de São José. Doação da Exma. Sra. Ana do Camargo.


Altar de Nossa Senhora das Dores. Doação da Sra. Davina de Toledo Lara.



Altar de São Joaquim. Doação da Exma. Sra. Baronesa de Tatuí.


Altar do Santo Sepulcro. Composto de seis estátuas em madeira do tamanho natural, representando Nosso Senhor Morto, a Virgem Dolorosa, a Madalena, a Verônica, São João Evangelista e José de Arimateia. Doação do benemérito Coronel Joaquim de Lacerda Franco.



 




Explica-se o número de altares porquanto na época não havia a instituição da missa concelebrada. Os sacerdotes, na impossibilidade de celebrarem no altar-mor, celebravam nos altares laterais.

A abóbada e o teto foram pintados por uma artista italiana, de Florença. As testemunhas da época contam que ela se vestia de homem, cabelo a la homme para executar o trabalho. Sabe-se que seu nome era Terese. Os tempos de antanho não permitiam a divulgação do fato!... Poucos o sabiam (sic).


As pinturas das laterais, inclusive dos altares e da nave central, são de outro pintor italiano, de nome Gentile. Já os altares de Santo Antônio (restauração), de São João Bosco, do batistério e do quadro à frente desse, pertence a outro pintor italiano, Enrico Bastiglia. O altar-mor, proveniente de Turim, projetado por Domingos Delpiano, foi executado pelos marmoristas dessa cidade, Poli e Gastini, em 1895. O tabernáculo proveio de Milão, inclusive os castiçais e o trono, trabalho da firma Bertarelli.


O púlpito, todo de mármore, é ornado pelas imagens, gravadas em relevo, de São Mateus, São João, Sagrado Coração de Jesus, São Lucas e São Marcos. Foi inaugurado no dia 22 de fevereiro de 1903 pelo Cônego Francisco de Paula Rodrigues. É trabalho das oficinas de marmoraria do Liceu Coração de Jesus, obra de Domingos Delpiano.


O mármore branco é proveniente de Carrara, o amarelo de Siena e o vermelho de Verona.

A nave central é sustentada por oito colunas de cada lado, imitando mármore, entremeadas por lampadários. Todos os altares são iluminados por lampadários.


O coro, todo ele de madeira, foi confeccionado nas Escolas Profissionais do Liceu, assim como os altares do Sagrado Coração, de São José e do Santo Sepulcro, de Nossa Senhora Auxiliadora, de Nossa Senhora do Carmo e a Gruta, construídos na última década do século passado. O mobiliário da sacristia também é trabalho feito nas oficinas das Escolas Profissionais.


No centro do átrio, pende um lampião, que pertenceu à casa do Conde de Prates, substituída pelo edifício da Empresa Bruno Tress. Sobre as portas laterais, do lado de fora, estão esculpidas as armas de D. Lino e da Congregação Salesiana. O frontispício da igreja é de estilo romano, clássico.


Restariam ainda muitos detalhes a descrever, mas os fiéis e amantes das artes poderão satisfazer sua curiosidade em visitando este belo templo de estilo renascentista, que é primor de arte, edificado por nossos antepassados, ricos e pobres, numa demonstração significativa de sua fé e de seu amor ao Sacratíssimo Coração de Jesus, como preito de homenagem e de reconhecimento pelos inúmeros benefícios por eles recebidos.